“Eu
mesmo sou um Hobbit (em tudo, exceto no tamanho).
Adoro jardins,
árvores e fazendas sem máquinas.
Gosto de fumar
cachimbo e de comer comida caseira...
vou dormir tarde e me levanto tarde (quando
possível).
J.R.R. Tolkien
“Há algo no caráter
dos Hobbits (e não nos personagens chamados Hobbits)
que faz com que eles vivam dentro de nós de
uma forma profunda e duradoura.
Tolkien criou a
Terra-média em sua mente, mas os Hobbits provieram de seu coração.
Nossas vidas seriam
melhores se alguns dos hábitos desse povo animado, honesto, decidido e
trabalhador pudessem se tornar nossos próprios hábitos.”
Noble Smith
Ele chegou! 2013
finalmente chegou e, diferentemente do ano que passou, começou com uma sensação
muito boa. Pois é, apesar de 2012 ter sido um ano muito bom para mim, confesso
que não estava tão animada e otimista na virada. Mas este não, caramba! Estou
muito animada e com uma sensação muito boa – sinto que iniciamos uma nova era,
não apenas para realizações pessoais, mas também em termos de sociedade.
Infelizmente, como todos
esperávamos, a chuva de janeiro trouxe as histórias tristes que vemos se
repetir ano a ano. Espero, sinceramente, que pare por aqui. Que chova, pois é
necessário, é natural, mas que não haja mais tragédias em consequência disso.
Apesar de tudo, acredito
que este será um ano muito bom para o nosso país, isso pode ser confiança, fé,
ou apenas ressaca pelo desfecho de 2012. Sejamos francos, não foi tão ruim
assim.
Para ilustrar o otimismo
que estou sentindo, resolvi escolher um dos últimos lançamentos literários de
2012: A Sabedoria do Condado – tudo sobre
o estilo de vida dos Hobbits para uma vida longa e feliz – de Noble Smith,
editado pela Novo Conceito.
Não por acaso escolhi essa
obra. Seu criador J.R.R. Tolkien teria completado ontem, dia 03, 121 anos de
idade, claro se tivesse a longevidade Hobbit.
Para quem, incrivelmente,
não conhece J.R.R. Tolkien, basta lembrar uma de suas obras mais famosas: a trilogia
O Senhor dos Anéis. Sei que existem pessoas que não tenham lido os livros e
mesmo assistido aos filmes, mas certamente devem ter, pelo menos, ouvido falar,
seja nos meios de comunicação ou algum amigo fã da obra desse autor que não
escreveu muitos livros, mas com os que escreveu influenciou e ainda influencia
uma legião de fãs.
Quando tomei em minhas
mãos o exemplar de A Sabedoria do Condado não fazia ideia do que esperar. Para
falar a verdade, mesmo sendo apaixonada por Tolkien, ia deixá-lo para depois,
já que minha lista de livros cresce assustadoramente. Espero que janeiro seja
suficiente para dar conta de pelo menos metade deles.
Mas ao sentar diante do
teclado para compor a coluna de hoje (no blog As Envenenadas pela Maçã), que não seria sobre esse tema, a magia da
folha de Lórien agiu sobre mim e influenciou minha decisão.
Senti uma estranha
necessidade de conferir sobre o que o livro tratava, e me encantei com o que li.
Noble Smith conseguiu
transcrever o que eu, e agora sei que outros fãs também, sinto a respeito da
obra de Tolkien.
Ele faz uma análise sobre
o estilo de vida e de viver dos Hobbits, sempre fazendo um paralelo com os dias
atuais.
Eu poderia dizer que é um
livro para fãs, para aqueles leitores que são conhecedores da mitologia criada
por Tolkien. Mas não é este o caso, pois ainda que o livro cite, capítulo a
capítulo, passagens das obras do autor, A Sabedoria do Condado não está
limitada aos seguidores de Tolkien.
Claro que aquele que
conhece a obra estará mais familiarizado com as colocações de Smith, mas a
riqueza de seu texto e o uso de momentos fundamentais das histórias de Tolkien
dão ao leitor, mesmo “não tolkienado”, um ambiente aconchegante para desfrutar
e compreender essa leitura tão distinta.
Peter S. Beagler diz no
prefácio: “[...] Em uma época com tantos livros
de autoajuda e guias “espirituais” que nos ensinam como viver uma vida feliz, é
difícil acreditar que ninguém tenha pensado em pegar os Hobbits, de
J.R.R.Tolkien – os Pequeninos – como exemplos tanto físicos como filosóficos de
uma vida tão boa. [...]”
Eu não diria que A
Sabedoria do Condado seja uma coisa ou outra. Vejo-o como uma forma de “linkar”
a literatura com a realidade, até porque Tolkien criou um mundo e os seres que
nele habitam, mas não sem uma boa parcela de realismo.
A cada capítulo, Smith
levanta questões muito simples de nossa vida e nos leva a questionar como
seriam, se fossem vividas por essas criaturas tão únicas e nitidamente as
preferidas por seu criador.
Após as devidas
introduções e apresentações, Smith abre os capítulos sempre com um
questionamento, como o Capítulo 1 – Quão
aconchegante é a sua toca-Hobbit?